sexta-feira, 17 de agosto de 2012

De homens e apostas




As apostas de Ellfroy sempre davam em nada. No jogo de números havia uma evidente separação entre a Sorte e ele. Um muro armado entre eles, inexpugnável, feito de concreto, um muro perene, eterno. Ellfroy sabia disso e, mesmo assim, jogava seus níqueis em esperanças de antemão perdidas. Talvez fosse um idiota, um viciado incorrigível, um doido apenas. Não importa. O que vale registrar são suas derrotas constantes, implacáveis como um murro de boxer. E ele sabia que iria assim até o fim dos tempos, até a morte do jogo ou da própria morte, ou fosse lá que o viesse primeiro. Aquilo era maior que ele, era maior que seus músculos em contrário, seus passos em contrário, sua negação; algo que sempre o levava à banca, aos números, à perdição. Depois da derrota, da pule amassada, jogada na rua, a raiva, a dor, a angústia, o remorso, tudo num turbilhão, vindo como dose amarga na garganta seca como pó. “Um dia vai dar... Um dia os números caem, precisos... E eu, então,...”. Ficou nisso, indo para o velho cubículo, para os braços de Eleanor.

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