sonho poucas vezes e ontem sonhei que estava no corredor de um supermercado
ia tranquilo empurrando o carro, dobro um dos corredores e lá está ela: uma alienígena, oferecendo copinhos de uma marca de café
a alienígena tinha um olho retangular enorme, me perguntou:
"Gostou da viagem sr. Dusquene?"
"Que viagem?"
"Para Altam, logicamente"
"Que conversa é essa? Estamos nos ..."
a linha fina que era o lábio da alien se expandiu, um risinho talvez
(não sei como, mas eu sabia que era fêmea)
- quando ela falava a linha ia para os lados e só
tinha dois braços como nós, mas verdes e que acabavam em pinças roxas
não vi pernas, bem que tentei, o tórax, sem seios, ia direto ao chão
"Bem, o senhor pensa que está na Terra, mas está em Altam"
"Dispenso o café, quero um uísque puro duplo"
"Não há bebidas alcoólicas neste planeta"
"Ótima droga de notícia. Vou fundar a Máfia por aqui. Como é seu nome querida?"
"Styxxx"
"Sei, pornô"
"Como?"
"Deixa pra lá, Styll. Posso lhe chamar de Styll, não posso? Quando sair do serviço você não gostaria de me mostrar o seu planeta?"
"Adoraria"
"Certo. Vou dar um giro pelos corredores. Que horas você sai?"
"Daqui a 582 horas?"
"O que?!"
"Nosso dia aqui dura 1.385 horas terráqueas".
"Eu preciso realmente de uma bebida agora, Styll. Vou procurar o Al do pedaço e fundar aquela sociedade de que lhe falei"
quinta-feira, 24 de julho de 2014
antes a lua morta aos sábados
somos fortes, mas extremamente frágeis,
ridiculamente frágeis,
idiotamente frágeis,
mas sempre nos sábados nos fortalecemos
com alguma comiseração
e a necessidade de odiar quem nos odeia
não, não isso,
é só o esquecimento,
tudo se esquecerá...
porque iremos afinal...
mas iremos
ridiculamente frágeis,
idiotamente frágeis,
mas sempre nos sábados nos fortalecemos
com alguma comiseração
e a necessidade de odiar quem nos odeia
não, não isso,
é só o esquecimento,
tudo se esquecerá...
porque iremos afinal...
mas iremos
segunda-feira, 5 de maio de 2014
As Coisas
sempre iremos, de alguma forma,
quebrando coisas
copos, garrafas, corações e mentes
é inevitável, é da vida
saberemos muito pouco ao final,
mas teremos uma certa sabedoria
da caminhada
de alguma forma...
é inevitável
que a grande festa termine
é inevitável que o drinque
acabe, e não encontremos mais nada
no fundo do copo
no lar
na galáxia
mas teremos feito uma caminhada útil
e necessária
para uns e outros
e sairemos, ao final de tudo,
com um leve cumprimento
- de nada, obrigado.
quebrando coisas
copos, garrafas, corações e mentes
é inevitável, é da vida
saberemos muito pouco ao final,
mas teremos uma certa sabedoria
da caminhada
de alguma forma...
é inevitável
que a grande festa termine
é inevitável que o drinque
acabe, e não encontremos mais nada
no fundo do copo
no lar
na galáxia
mas teremos feito uma caminhada útil
e necessária
para uns e outros
e sairemos, ao final de tudo,
com um leve cumprimento
- de nada, obrigado.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Novo novo e igual
Queria avançar no tempo 400 anos para ver como serão as coisas.
Habitaremos colônias na Lua, em Marte, certamente...
Iremos a Alfa do Centauro... Voltaremos?
A cura do câncer virá...
A antecipação genética, com a escolha de quem poderá reproduzir ou não...
Eugenia, esse horror... horror...horror...
Todo o mal, todo o bem,
tudo o mais...
Ninguém ficará isento, todos serão envolvidos, atraídos.
Conduzidos, forçados?
Haverá democracia ainda?
Ocidente? Oriente?
Fé?
A certeza humana da continuidade da espécie, a todo o custo,
uma questão de sobrevivência, mesmo que muitos devam ser sacrificados.
You
Você,
que pensa que será grande daqui a alguns anos,
que pensa que realizará seu sonho sob água matinal,
que permanecerá sempre tentando,até o esgotamento,
que sobre derrotas nada falará, justificando-as todas,
que fará uma merda atrás da outra
Você,
que buscará no álcool qualquer coisa de humano, e ficará vencido,
que procurará qualquer coisa sob o solar da lua morta e nada encontrará,
que desmontará a maquete antes mesmo do primeiro tijolo cozido,
você, homem, você, você mesmo, que dormirá com os porcos, no trajeto,
e que clamará aos céus pelo aniquilamento
Você,
que imaginará ter um tesouro sob a pedra,
que vomitará bílis e desejos ao lado da gorda mesa,
que espantará pombos como bichos humilhantes,
e se servirá do último drinque no copo americano,
você, homem, você, você mesmo, que é da América,
nua, escura, úmida, calorenta, bela
como uma stripper
Você,
que perderá os culhões sob as fachadas luminosas dos supermercados,
que antecipará o pagamento da empregada por pena e asco e insinceridade,
que dormirá sob as estrelas em uma noite clara de vigília bêbada,
que deixou para trás todo o legado de 50, 60 e 70,
que esperará somente viver um pouco mais mais,
para que o urso ainda tente abocanhar o peixe,
ou algo, assim, idiota e totalmente humano,
assim é, homem, assim
que pensa que será grande daqui a alguns anos,
que pensa que realizará seu sonho sob água matinal,
que permanecerá sempre tentando,até o esgotamento,
que sobre derrotas nada falará, justificando-as todas,
que fará uma merda atrás da outra
Você,
que buscará no álcool qualquer coisa de humano, e ficará vencido,
que procurará qualquer coisa sob o solar da lua morta e nada encontrará,
que desmontará a maquete antes mesmo do primeiro tijolo cozido,
você, homem, você, você mesmo, que dormirá com os porcos, no trajeto,
e que clamará aos céus pelo aniquilamento
Você,
que imaginará ter um tesouro sob a pedra,
que vomitará bílis e desejos ao lado da gorda mesa,
que espantará pombos como bichos humilhantes,
e se servirá do último drinque no copo americano,
você, homem, você, você mesmo, que é da América,
nua, escura, úmida, calorenta, bela
como uma stripper
Você,
que perderá os culhões sob as fachadas luminosas dos supermercados,
que antecipará o pagamento da empregada por pena e asco e insinceridade,
que dormirá sob as estrelas em uma noite clara de vigília bêbada,
que deixou para trás todo o legado de 50, 60 e 70,
que esperará somente viver um pouco mais mais,
para que o urso ainda tente abocanhar o peixe,
ou algo, assim, idiota e totalmente humano,
assim é, homem, assim
Ontem, tarde, na rua mais próxima
"Beberei até a sua última gota, Dusquene".
"Espero que engasgue, sua rampeira".
"Pensava que ia ter uma boa vida, hein?".
"É. Realmente imaginava algo melhor para o meu lado".
"Cê não é melhor do que ninguém, Duc".
"Sei que não sou. Mas também não preciso ser igual a todos".
"Escrever uns poemas e textos não o tornam superior".
"Mas me salvam do ramerrão, conservam o meu nariz acima do mar de bosta".
"Você é engraçado. Saiba... NINGUÉM SE SALVARÁ!"
"Não procuro redenção alguma".
"Seu fim será igual ao dos outros camaradas".
"Mas deixarei uns troços escritos, meu ódio talvez".
"Você se acha especial, Dusquene. Muito especial..."
"Afinal, dona, cê não tem mais o que fazer?"
"E você? Que destino dá a sua vida miserável?"
"Bebo e escrevo e vice-versa".
"Sua novela nunca será publicada".
"O que eu posso fazer? Mas um editor já se interessou. Agora é aguardar".
"Conversaremos mais tarde. O cara lá de cima me bipou. Um atropelamento na Pomerode, 45. Amanhã estou de volta".
"Não venha. Me dê uma folga".
"Isso não existe para você, Dusquene. Não para você".
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