terça-feira, 23 de abril de 2013
O sol que nos atravessa
tive meus momentos de sol
marítimos
o drink na praia
vodca com limão
o sol no plexo
os coqueiros
as mulheres passando
a lombra
o sabor da maresia
ééé...
o sal grudava nos poros
a pele cozendo
o peixe frito
mais birita
é, Dusquene, um dia quem sabe?
você não é dos piores
aliás,não,
você não é dos piores
espere o verão, Dusquene, espere
quem sabe?
Aos que pensam estar na planície em desespero
essa queima de fogos
assusta cães, não a mim,
estou sabendo o que virá
as pessoas vão enlouquecendo aos poucos
tentando sustentar o status quo e,
quando não conseguem,
entram em parafuso,
bebem o fígado,
gemem, culpam o mundo,
ora, o mundo sempre foi assim,
para pior
o desemprego é o que abala,
mas também é uma fonte de oportunidades:
jamais encontrei quem quisesse trabalhar duro desempregado,
jamais
para aqueles que estão desempregados, aconselho:
entrem em 2012 com garra, dizendo "eu tenho colhões, porra!",
vou trabalhar em 2012 até espatifar meus braços e
esfarinhar meu cérebro, mas vou comer parte dessa torta, caralho,
se vou
Anticlímax em meio a sapatos brancos sobre a amurada
“Você quer me matar, Dusquene”.
”Só quero que você se acalme, Marion. A enfermeira já vem. Cadê a droga da enfermeira?”
“Eu vou sair dessa maca”.
“O caralho que vai. Espere”.
“O que é isso? Você me empurrou. Você realmente quer me matar”.
“Porra, fique quieta um pouco. Cadê a enfermeira? Alguém, que seja...”
“Gina ele quer me matar! Gina, não me deixe só com esse homem! Gina! Gina!”.
“São 2 e 40 da madrugada. Vai acordar todo o hospital...”
“Gina! Giiinnaaaa! Giiiiiiiinaaaaaaaa!”
Uma enfermeira entrou no quarto, afoita.
“Quer dizer... O chamado pelo aparelho vocês não atendem, mas é só começarem os berros e logo correm...”.
“Que tem ela?”.
“Está alucinando devido a uma infecção”.
“Huum... Acalme-se, OK. Está tudo bem”.
“Você chamou sua amante, Dusquene. Estão de conluio para me envenenar”.
Não aguentei.
“Confesso ser uma das opções sobre a mesa”.
Marion arregalou os olhos e sussurrou para a enfermeira:
“Não lhe disse, Gina, estão todos combinados”.
O elemento que falta em mim
não escrevo para ninguém
nem para mim,
poderia parar de escrever agora mesmo
e não seria o fim
nem o começo de nada
o que não posso é ficar sem mulher
e sem bebida
cerveja, pelo menos,
destilados estou fora,
tenho 48
quem acredita que o mundo precisa
que ele escreva é um imbecil, um demente,
eu não preciso também ler o que as pessoas escrevem,
livros me causam náusea
páginas e páginas
sem razão alguma, sem motivo,
alegria, verve ou dor,
ou quem sabe algo menor
escrever é tedioso
- jamais me empolgo com o que leio agora -,
sei que não há nada mais a ser feito
ou dito
só poeira, às vezes nem isso
Um pouco de culpa e um dólar apenas
as pessoas são premiadas
de muitas maneiras
e você, Dusquene?
papando mosca...
bebe uma cerveja,
é, esta noite o bar está legal,
aparentemente
até o momento
o copo enchendo e esvaziando na boa
ninguém veio puxando conversa,
enchendo o saco
alguns conhecidos apenas,
"e aí, Dusquene?", dou um "Olá, amigo"
ninguém vem sentar na mesa,
isso é legal
a vida pode ser boa
é só você confrontar a pressão dos idiotas
e deixar rolar com a bebida,
fico de olho
as mulheres dos bares
têm longas estórias tristes, de solidão,
e ancas e seios sexys,
mas hoje não, não vou investir,
não quero ouvir e foder nenhuma delas
quero apenas, e somente, beber
é isso
No lar, ardente sobre a relva fresca
"Você fica aí sentado nesse sofá, mamando uma dúzia de cervejas por noite. Você não sai comigo. Você não presta, Seymour!". "O que é isso! Tivemos aquele jantar na casa do Bullford e da Annie há três meses... Não diga que eu não sou um cara legal". "Você não liga para as minhas necessidades. Estou perdendo a vida neste apartamento. Entra dia, sai dia, e nada acontece". "Como não? E aquele atropelamento do garoto aqui bem em frente na semana passada?". "Até a Suzzy não aguentou. Foi morar com uma amiga. Pelo pai que tem...". "E você acreditou nessa história? Ela juntou os panos de bunda com aquele desgraçado magricela que vinha aqui filar o meu almoço". "Não diga isso de nossa filha única, seu imundo. Você realmente não presta". "Eu sou um bom marido pra você, Minnie". "Marido bom, é marido morto!"
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