sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Blue Moon


qualquer coisa
que falarmos hoje
é bobagem
frente à lua azul
ao cheiro
do vinho tinto
no copo americano
à dama azul
da noite pobre
de mim
de você
mas cheia
dessa angústia
infinita

qualquer coisa
destoa
na paisagem
saiam homens
e mulheres
que nada valem
que nada têm
a oferecer
que nada prestam
que nada sabem
da lua azul
morta e fria
naquele céu
de ninguém

Limpeza

Butchner bebeu o último gole. Arrancou a calcinha de Margot. Botou ela de quatro. Cuspiu no mangalho teso. Ela só pediu: "Vai com calma, amor! Aggghhhhhhhhhh. Seu filho-duma-puuuuta!". Butchner riu seu riso de nove dentes. Tava pagando por aquilo. E queria que fosse cruel.

...

há visivelmente pessoas doentes de alma
nas ruas
a lista dos homicidas e dos desesperados
só faz crescer
muitos vivem do nada,
preenchendo sua alma
com o vazio incomensurável

estamos nos emporcalhando,
aviltando, sobrecarregando de misérias
que acabarão por nos tornam uma massa disforme nas calçadas
- o que já somos

estamos vivendo por viver, defecando risos idiotas
vejam a paisagem, apreciem a paisagem,
no que estamos nos transformando:
em merda ainda maior!
- se já não

a penúria alheia que avança nas grades


somos feitos de nervos
carnes e ossos tão somente são
alicerce e concreto
somos constituídos é de fiações
por isso, não é errado dizer
"aquele sujeito tem uns fios soltos"

cada vez mais vemos pessoas assim
deprimidas, obcecadas, loucas, suicidas,
vagando pelas ruas,
com todas as suas carências

eu fujo desses indivíduos...
não sei você, amigo
já estou satisfeito com as minhas misérias
não preciso das de ninguém

"Dusquene, eu preciso lhe contar umas coisas..."
"Deixe para amanhã, camarada, hoje eu não estou num dia bom"

É duro ser discreto à luz da lua

Bug Bess entrou no bar. Pug Lee levantou. Alfred, o dono do bar, foi logo dizendo: "Calma aí, rapazes, não quero confusão aqui. Se têm algo a resolver, é lá fora". Bug Bess e Pug Lee se olhavam, ferozes. "Onde está minha mulher?", falou Bess. "Se você não sabe, muito menos eu", respondeu Pug. "Você está fodendo ela, eu sei". "É, demos uns amassos, foi só". "Seu filho-duma..., cê ainda confessa?". Pug: "Estou sendo sincero, foi isso só entre nós". Bess cerrou os punhos: "Cê tem certeza?". "Tenho". "Tudo bem, então, deixo você me pagar uma cerveja". "Tudo bem. Mas só uma". "Tudo bem, só uma". O bar voltou à normalidade.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

...


é, baby,
dividiremos colchões manchados de molas ruins
copos frágeis que se quebram nas bebedeiras
iremos suar um pouco no sexo
faremos o que tiver que ser feito
deixaremos nossos filhos no mundo
e será bom ter feito tudo isso,
porque, apesar de toda luta,
mais não importa...

talvez, o último drinque, talvez
a última azeitona no prato
quem sabe?
nada

Cães


é como se fosse uma noite de cães danados
a uivar para a lua
homens e mulheres vão aos bares
a festa se instala
e eu quero estar nela
dentro dela
com um copo
na mão

como cães danados saímos em matilha
e vamos nos mordendo e ferindo
mas sempre juntos